Mulher negra é o poder: Modelo negra reproduz campanhas de moda

Genteeee,  anota ai na agenda: As pretas vão dominar o mundo e isso não vai demorar muito.

Que vemos modelos brancas todos os dias em anúncios e campanhas de modas não é novidade pra ninguém, o que o povo não tá acostumado – mas já pode ir se acostumado –  é com a questão da representatividadea gente quer se ver meu povo!

A modelo Deddeh Howard, natural da Libéria e vive em Los Angeles . Em um projeto recente chamado Black Mirror (“Espelho Negro”, em inglês) resolveu chutar o balde do preconceito; ela recria campanhas de marcas famosas, ela aparece no lugar de modelos como Gisele Bündchen, Gigi Hadid, Kendall Jenner e Kate Moss, mostrando que o mercado da moda ainda tem muito que evoluir e aprender sobre a representatividade e diversidade.

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Nas fotos as poses e expressões das modelos do anúncio original são copiadas por Deddeh sem falar das roupas que são bastante semelhantes às usadas por elas.

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A visibilidade nos comerciais e outdoors é tão importante quanto a eleição do primeiro presidente negro. A próxima geração só pode se inspirar e alcançar as estrelas se acreditar que pode fazer isso. Por essa razão a diversidade em campanhas de anúncios é muito mais importante, na minha opinião, do que você pode imaginar.“, escreveu ela em seu site.

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O intuito do projeto é mostrar que, esteticamente, o efeito de uma mulher negra no lugar de uma branca é tão legal como na campanha original. “Quero mostrar ao mundo que é hora de sermos vistas, de verdade, mesmo por grandes marcas” Deddeh Howard.

Se você não tá preparado para todo esse poder das Mulheres Negras, fecha os olhos e sai da frente porque estamos chegando pra ocupar todos os espaços e sem muita cerimônia.

Agora me bateu até uma vontade de voltar a fazer o Look de Preta, será que é uma boa ideia?

Beijos e até a próxima!

Representatividade: Menina lança projeto de livros só com protagonistas negras

Representatividade importa!

Como é ser apaixonada por leitura mas não se identificar ou se sentir representada?

Marley Dias de 11 anos se sentia decepcionada por não se “ver” nas histórias dos livros que constavam no currículo escolar, que geralmente eram protagonizadas por “garotos brancos e seus cachorros” e passou a reclamar com a mãe sobre este fato.

Janice perguntou a filha o que ela pretendia fazer para mudar e fato que vinha lhe incomodando, Marley então decidiu que  ajudaria a expandir o alcance de livros protagonizados por meninas negras.

O projeto #1000BlackGirlBooks (“mil livros com garotas negras”, em português), que busca coletar mil livros,  faz parte da iniciativa anual do acampamento para meninas negras GrassROOTS Community Foundation, na Filadélfia, para ajudar crianças que vivem na pobreza.

@scholasticinc was the best! Great discussion with the staff not to mention that it was book haven⭐️ #1000BlackGirlBooks

Uma foto publicada por Marley Dias (@iammarleydias) em

A meta já foi alcançada e hoje já ultrapassa 4 mil livros catalogados e 700 disponíveis no site do projeto.

Em entrevista à Folha de S. Paulo, Janice disse que elas continuam recebendo livros e que são doados para escolas tanto nos Estados Unidos quanto na Jamaica, lugar onde a mãe de Marley nasceu.

“Acho que nós não tínhamos noção do dilema internacional que é essa questão de falta de diversidade e a Marley teve a chance de dar voz a um desafio que muitas pessoas preferem não falar” contou ao jornal.

Off to have a great day with @elleusa and @scholasticinc for Spring Break🌴🌸 #1000BlackGirlBooks

Uma foto publicada por Marley Dias (@iammarleydias) em

Marley manda um recado sobre representatividade:

“[É algo que] Realmente importa quando você lê um livro ou aprende algo, você sempre quer algo com o qual você possa se conectar. Se você tem algo em comum com os personagens, você sempre se lembrará e aprenderá a lição do livro“.

Se você quiser ajudá-la com a campanha, saiba como no site oficial.

A falta de representatividade de nossas crianças

Falta de personagens negros nos desenhos, bonecas brancas, personagens principais nas novelas e demais referências, fazem com que as nossas crianças negras possam ter dificuldades em aceitar sua identidade. A caminhada rumo a representatividade de nossos pequenos é longa, porém se cada um de nós fizer como a pequena Marley e tomarmos atitudes positivas, nossas crianças terão em quem se espelhar!

Beijos da Preta!

 

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Shonda Rhimes e as mulheres negras que queremos ver

Um assunto muito comentado pela comunidade negra em todo mundo, foi o discurso da atriz americana Viola Davis na conquista do Emmy de melhor atriz dramática, pela série How to Get Away with Murder, em meio a emoção do momento, mas ainda sim, muito certa e  consciente de suas palavras, Viola proferiu uma frase que me fez refletir mais uma vez, como nós mulheres negras somos representadas: “A única coisa que separa as mulheres negras de qualquer outra pessoa é oportunidade. Você não pode ganhar um Emmy por papéis que simplesmente não existem.”    A fala da atriz me remeteu a nossa realidade não só no campo televisivo e cinematográfico, mas também na forma como a sociedade nos representa e tenta nos encaixar em determinados padrões, sociais, estéticos e até mesmo afetivos e o quanto tem sido difícil quebrar esses paradigmas que tentam nos manter inertes na nossa caminhada para uma vida mais digna.

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  Uma das responsáveis por esse fato histórico, já que Viola foi a primeira atriz negra a receber o prêmio Emmy,  é a roteirista Shonda Rhimes, que é considerada uma das maiores roteiristas americanas da atualidade, sendo a criadora de grandes séries como Grey’s Anatomy e Private Pratice, as quais eu conheço um pouco mais, diferentemente das séries que tem atrizes negras como protagonistas (prometo que tentarei desacelerar o ritmo e parar em frente ao computador para assistir as temporadas anteriores) e é sobre essas séries e suas protagonistas que quero falar.

 

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Scandal e How to Get Away with Murder trazem mulheres negras como protagonistas (assim como a roteirista) que se destacam dentro das suas áreas profissionais. Olivia Pope, interpretada pela lindíssima atriz  Kerry Washington, apresenta uma advogada, ex consultora da Casa Branca, que trabalha para proteger os segredos da nação, evitando que grandes escândalos aconteçam, já Viola dá vida à Annalise Keating, uma professora de Direito Penal que  seleciona um grupo dos seus melhores alunos em sua turma da universidade para trabalhar em seu escritório. Ambas as personagens atuam e ambientes de grande prestígio social exercendo cargos importantes sendo reconhecidas por seus sucessos e suas competências profissionais. Do pouco que acompanhei das séries, me chama a atenção a forma como estas personagens estão inseridas em ambientes de poder e mesmo que não haja um recorte específico para as tensões raciais, que têm se aflorado nos Estados Unidos, o poder e o respeito que as advogadas detém, nos fazem sentir muito representadas.

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É impossível não fazer uma comparação com a teledramaturgia e cinema brasileiro e perceber o quanto as mulheres negras ainda são representadas com estereótipos, na maioria das vezes negativos, dificilmente se vê  uma atriz negra representando papéis de grandes profissionais, sem nenhuma conotação sensual ou perjorativa. Me incomoda perceber que ainda somos retratadas na grande maioria das vezes como mulheres com pouco estudo corpos sarados, rebolativas, dispostas a encantar e seduzir os homens. É preciso associar a imagem de mulheres negras não só apenas às empregadas domésticas, dançarinas de funk, ou passistas, pois não somos apenas isso, cresce cada vez mais o número de mulheres negras com ensino superior, mestrado, doutorado… E mesmo com todas as barreiras invisíveis impostas à nós, estamos alcançando papéis de destaque nos setores públicos e privados, então por que não sermos retratadas também como consultoras, advogadas e médicas de sucesso, assim como Shonda tem feito em todas as suas séries? São ações como essa que passam a mudar, mesmo que lentamente, a imagem que a sociedade em geral tem de nós mulheres negras e o mais importante, fortalece em nós a autoestima , para que nos sintamos capazes de ser o que quisermos, afinal, representatividade importa!

Beijos da Preta!

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