Santa Catarina é Negra: Marcha da Negritude Catarinense

Sim, teve Marcha!

A cada quilômetro avançado a ansiedade  aumentava, chegamos em Florianópolis com chuva, mas tínhamos a certeza que recuar ou desistir da Marcha não era uma opção.

Ver as pessoas chegando com sorriso no rosto, mesmo em baixo de chuva, ver a empatia estampada nos olhos de cada um que ali se fazia presente e, principalmente, o desejo de marcharmos juntos para mostrarmos para Santa Catarina e o Brasil que nós existimos e resistimos.

A chuva deu uma trégua e ao som da apresentação do Maracatu Arrasta Ilha, a concentração  foi tomando conta da escadaria da Igreja Nossa Senhora do Rosário – pra mim um dos momentos mais especiais da Marcha da Negritude Catarinense -.

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Percorremos as principais ruas do centro de Florianópolis  em busca do reconhecimento do valor do povo negro na história do estado, pelo fim do preconceito, por politicas próprias para a população negra. O poeta Cruz e Sousa  e  ex- Ministra da Secretaria de Politicas Públicas da Igualdade Racial do Brasil, Luíza Helena Bairros, falecida no dia 12 de julho, foram lembrados.

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Não consegui fazer nenhum registro fotográfico de uma senhora muito simpática que nos acompanhou do meio até o fim da Marcha, ela havia saído de casa para ir ao mercado e ao ver a passeata, ficou tão maravilhada que decidiu seguir junto, naquele momento eu tive a certeza que parte dos nossos objetivos haviam sido atingidos – estávamos sendo vistos – vi muitas pessoas acenando admiradas, outras e emocionadas e não vou negar que algumas pareciam estar perplexas com tal movimentos – mas para essas pessoas voltamos a repetir, nós existimos e resistimos!

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Fica aqui o nosso agradecimento e parabéns aos idealizadores e organizadores da Marcha que não mediram esforços para concretizar e viabilizar esse momento histórico no estado de Santa Catarina, que essa seja a primeira de muitas!

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Racismo na escola: A turma que não “se adaptou” a ter uma aluna negra

por segunda-feira,13 abril, 2015 0 , , 0

A notícia começava da seguinte forma: Daquelas coisas que você lê no Facebook e não acredita que possa ser verdade, diante do tamanho absurdo…

E foi exatamente isso que pensei no momento; não pode ser verdade, deve ser mais um desses link com vírus, mas para a minha surpresa,  a notícia era tão real quanto absurda.

A matéria contava a história da a história da pequena Lorena de apenas 12 anos, que foi convidada a mudar de turma pois os seus colegas de classes a ridicularizavam por ser negra.

A escola chegou a ligar para a mãe da menina avisando que seria feito a troca de turma e como justificativa disseram que a turma não se adaptou à ela. Parece absurdo de mais para ser verdade…

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A mãe ainda recebeu uma mensagem pelo Whatsapp da menina que dizia: “olha só o que sofro”. e junto a gravação do colegas com ofensas do tipo:  “Sua preta, testa de bater bife do cara&%@”

Isso não é o tipo de coisa que você lê e logo esquece, fiquei tão horrorizada e me coloquei no lugar da Lorena, porque assim como ela muitas vezes eu fui e ainda sou a única aluna negra da classe e se as pessoas “não se adaptassem” a minha cor, meu cabelo, peso e altura, quanta coisa eu teria que abrir mão e o que eu seria hoje?!

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Me assusta ver que ainda nos dias de hoje, ainda existem adolescentes com pensamentos tão preconceituosos, retrógrados e ignorantes como esses, suponho que assim como a educação é algo que venha de casa, tal comportamento discriminatório, já aflorado desde tão cedo, não possa vir de outro lugar.

Devemos refletir a importância de elucidar o racismo para as crianças negras e também enriquecê-las com a nossa cultura, para que elas estejam preparadas para enfrentar esse tipo de situação – Infelizmente, nossas crianças não estão a salvo de passar por situações como essa –  temos muitas Lorenas no nosso Brasil, que enfrentam o preconceito diariamente, seja na escola, faculdade, local de trabalho e nas ruas pelo simples fato de ter a pele preta.

A sociedade hipócrita, que afirma veementemente não haver racismo em nosso país, tem criado na sua intimidade, seres arrogantes e prepotentes, os ataques sofridos por nós negros, estão se tornando cada vez mais constantes, talvez pelo fato de estarmos cada vez mais esclarecidos e combativos, e isso assusta muito a podre “elite branca”. Desejo à Lorena que ela se fortaleça cada vez mais contra pessoas como essas e que tenha cada vez mais orgulho de sua origem, de sua cor, de seu cabelo… Você é linda, nós somos lindas!

Leia a matéria completa no portal Geledés

sign-Dai

 

Como você traduziria o preconceito?

por sexta-feira,20 março, 2015 0 , 0

“O que você faria se uma pessoa negra pedisse para traduzir uma publicação no Facebook dele em um idioma que ele não domina, e descobrisse que o conteúdo era racista e com agressões contra ele?”

Este post não é para nós, negras, mas sim para todas e todos que por acaso chegarem aqui.

Diversos estudos e experiências já foram realizados sobre racismo e seus agentes, e isso não é novidade. Mas as formas como institutos tem encontrado para mostrar o quão ignorante é o racismo sempre é uma surpresa, na maioria das vezes agradável.

A Lituânia é um país conhecido por seus atos racistas e seu povo nada receptivo. Uma agência local decidiu fazer uma experiência, chamando algumas pessoas para um teste fake, onde elas, em um determinado momento seriam solicitadas a traduzir uma mensagem para um homem negro, sem saber do conteúdo da mensagem e nem que se tratava de uma experiência. A reação das pessoas é emocionante, assista:

O que me tocou nesta experiência, é que de alguma forma as pessoas se colocaram no lugar do homem que estava sofrendo o preconceito, e puderam sentir um pouco da realidade diária dos negros pelo mundo todo.

E agora eu pergunto: o que VOCÊ faria?

Uhull

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Consciência dos herdeiros de Zumbi dos Palmares

20 de novembro: uma data que é ao mesmo tempo é comemorada e questionada, nesse dia, lembramos a morte de Zumbi dos Palmares, um grande líder na luta pela liberdade do povo negro em nosso país e como forma de homenagem instituiu-se o dia da Consciência Negra, o que ainda gera muita discussões, principalmente por parte dos “proclamadores da igualdade”, que julgam essa comemoração como forma de separação entre as raças ou, acreditem, até mesmo como uma forma de racismo.

Essas afirmações contrárias à  comemoração do Dia da Consciência Negra me deixam incomodada, por que a todo tempo vejo outras etnias comemorando suas tradições e suas memórias e ninguém os aponta o dedo, discriminando, alegando que estão separando as pessoas por raça, dizendo que isso é um erro já que todos são iguais, estranho, não?

Fonte: www.bahiaatual.com/

Fonte: www.bahiaatual.com/

Em um dia desses, por conta de uma postagem no facebook, me questionaram o por que de eu encher a boca para dizer “meu povo”, quando me referia aos negros, fiquei intrigada com o incômodo que tal pessoa demonstrou, pois vejo todos os dias, principalmente na região em que vivo (sul de Santa Catarina), pessoas nascidas em solo brasileiro e vivendo aqui, afirmarem categoricamente e com muito orgulho, serem alemães, italianos, poloneses… e tudo isso é visto com muita naturalidade, então por qual motivo não posso me identificar os descendentes de escravos e chamá-los de meu povo? Já que devido ao tráfico negreiro e as e as medidas tomadas para a “domesticação” do nosso povo, não podemos afirmar com exatidão de onde nossos bisavós ou tataravós vieram.

Com certeza é preciso muito mais que um dia para que a nossa história seja lembrada ou celebrada, o ensino da cultura negra deve ser promovido nas escolas, a fim de promover o conhecimento e incentivar nossas crianças a terem orgulho de sua raiz, valorizarem o esforço dos nossos antepassados, fazendo valer toda a força que herdamos. Que esse dia se multiplique na nossa sociedade para que se tenha a consciência de que nós negros temos potencial para vencer qualquer obstáculo que essa sociedade hipócrita e racista nos impõe, devemos fazer valer a luta de Zumbi para que fôssemos livres dos grilhões, que atualmente deixaram de ser físicos, e passaram a ser mentais, minando nossa autoestima dia a dia.

Fonte: www.sescsp.org.br/

Fonte: www.sescsp.org.br/

Zumbi dos Palmares revive em mim, toda vez que demonstro o quão orgulhosa sou da minha cultura e do meu povo, por que sim, somos um povo, um povo que  mesmo com todas as dificuldades do cotidiano, sorri, canta e dança, um povo que faz duas vezes mais pra ter seu trabalho reconhecido, mas que mesmo assim não se dobra. Valeu Zumbi por lutar pela liberdade do nosso povo e nos fazer crer que a luta de uns é benefício para muitos, você viverá em mim, pois se hoje sou livre para dizer, fazer e ser o que quiser, devo isso ao seu sacrifício.

 

2014 seria o ano do racismo?

por segunda-feira,10 novembro, 2014 0 , 0

Já pararam para pensar que estamos a 51 dias do fim do ano?

Com a proximidade do final do ano é impossível não fazer uma análise de todos os planos que fizemos para 2014, é impossível também não olhar para trás e ver quanta coisa aconteceu durante esse ano, e algo que me chamou e ainda tem me chamado a atenção é o grande numero de casos de racismo que estão ganhando destaque na mídia.

O racismo sempre aconteceu só que antes não tínhamos voz, a coisa acontecia e passava desapercebida, hoje estamos vivendo na era da informação e é quase impossível que atos como esse passem despercebidos,  mas o que me assusta é que com tamanha repercussão ao invés dos casos diminuírem, eles têm aumentado cada vez mais e com mais intensidade.

Sempre fico me perguntando o que passa na cabeça de alguém que discrimina o outro por ter uma cor diferente, por ser de classe social diferente e hoje em dia até por ser de religião diferente, alguém pode me explicar isso e me convencer que  é certo?!

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Vou citar alguns dos casos que tiveram repercussão durante o ano de 2014:

– Tivemos o caso Cláudia Silva Ferreira, que teve o corpo arrastado por 350 metros por um carro da Polícia Militar e recentemente os PMs se livraram de responder o processo na justiça comum.

– Também tivemos o caso do adolescente negro que foi espancado e preso por uma tranca de bicicleta em um poste.  E há pouco tempo atrás foi descoberto que os mesmo jovens que se diziam “defensores do bairro” na verdade eram traficante de classe média.  Expliquem isso defensores desse tal ato de covardia!!

 – Houve também o caso do ator Vinicius Romão de Souza, que foi preso por engano, após ser confundido com um assaltante que havia roubado a bolsa de uma senhora.

– Outro caso que teve bastante destaque, foi o da estudante da USP, Mônica Gonçalves que foi impedida de entrar na Faculdade de Medicina por ser negra

 – Não podemos esquecer dos casos de racismo no futebol – tivemos o Tinga, o arbitro Marcio Chagas, Arouca, Daniel Alves e mais recentemente o goleiro Aranha.

 Haaa gostaria de relembrar e de deixar bem claro que #nãosomosmacacos

 – E mais recentemente tivemos o caso do professor universitário que debochou dos negros e cotistas dentro da sala de aula

 Provavelmente devo ter esquecido de muitos outros casos como esses citados acima sem falar daqueles que não temos  conhecimento.

Com a chegada de um ano novo, espero que assim como as nossas expectativas, sonhos e desejos se renovam as pessoas possam renovar as suas ideias e deixem pra trás todos os seus preconceitos e que possamos viver em harmonia e que os direitos de todos sejam respeitados.

 

 

 

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