Somos todas princesas

por quarta-feira,6 agosto, 2014 0 , , , 0

“Era uma vez uma menina negra que sonhava em ser princesa, aí ela acordou e fim.”

Essa foi a história da minha infância e assim como a maioria de vocês – se não todas – eu cresci assistindo a contos de fadas e de princesas que tinham uma vida sofrida, mas davam a volta por cima e no fim sempre viviam felizes para sempre com seus príncipes encantados. Cinderela, Branca de Neve, Ariel entre tantas outras, eram minhas heroínas e exemplos de força, perseverança, e claro de beleza. Mas pera, beleza? Beleza? Pode isso? Pra uma criança de 5 anos, pode sim! E vou confessar que muitas vezes ia dormir sonhando em acordar com a pele branquinha no dia seguinte ~hahaha~

Mas é claro que eu não era a única a admirar as princesas europeias, afinal elas preenchiam todos os requisitos estereotipados pela sociedade para ocupar o cargo de mocinhas indefesas: órfãs de pai, mãe ou os dois; quase sempre sozinhas em suas jornadas, ou acompanhas de animais fofinhos; expostas à situações de risco onde sempre seriam resgatadas por seus príncipes. E claro, não posso esquecer de suas características, que apesar de variarem a cor dos cabelos não fogem muito do esperado: pele branca, olhos claros, magrinhas, cabelos lisos e em sua maioria longos. Como não admirá-las??

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Não sei se vocês já pararam para analisar as princesas, mas se fizerem, perceberão que elas transmitem exatamente a imagem que as mulheres tinham à época de seus surgimentos, e até a década de 80, o que víamos eram princesas passivas, que viam no príncipe encantado (leia-se “casamento”) sua única possibilidade para ser feliz, capazes de mudar suas próprias características para satisfaz o homem de sua vida – ou a sociedade. Enquanto o cinema ganhava proporções cada vez maiores, quem fazia sucesso eram atrizes como Audrey Hepburn, Marilyn Monroe, Elizabeth Taylor. Apesar de já existirem algumas poucas atrizes negras (veja aqui, aqui e aqui) atuando nas telonas, seus papeis eram secundários e quase imperceptíveis, porque era assim que a sociedade enxergava as mulheres negras na época, e não seria diferente com a maior produtora de animação do mundo.

Dandridge, grandes atrizes negras do século passado.

Josephine Baker, Hattie McDaniel e Dorothy Dandridge, grandes atrizes negras do século passado.

Só na década de 90 as coisas começaram a mudar, com o surgimento de uma “princesa” ávida por conhecimento, que acaba por desprezar o bonitão da vila, mesmo sendo chamada de estranha por seus vizinhos. Bela abria as portas da Disney pra mostrar que nem só de casamentos e príncipes encantados viviam as mulheres da época – mas com casamento no final, é claro. Depois dela, vieram Jasmine, Pocahontas e Mulan, mulheres que desafiaram suas culturas em busca de um bem maior, que não era o amor e sim a liberdade. Jasmine foi a primeira a não representar os estereótipos europeus, assim como suas duas sucessoras.

Mas a grande evolução na história da Disney, veio na mesma época em que passávamos por uma grande evolução na história mundial: em 2008 Barack Obama foi eleito presidente dos Estados Unidos; no ano seguinte, a Disney lançava “A Princesa e o Sapo” com sua primeira protagonista negra, a então garçonete (e só futuramente princesa) Tiana.

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Tiana veio representar todas nós, mulheres negras, entre a realeza dos desenhos animados. Uma garota de personalidade forte, sem medo de ir à luta, e descrita por seus próprios criadores como “alguém que nunca teria sido uma grande fã dos contos de fadas da Disney”. Claro que ela ainda entra dentro de alguns estereótipos, assim como o próprio fato de se tornar uma princesa antes do “felizes para sempre” – como se todas as mulheres precisassem do príncipe encantado para encontrar a felicidade. Mas é inegável o avanço que isso trás para a nossa sociedade.

E falando em avanço, também lhes digo com orgulho que não morri antes de ver uma negra interpretar a Cinderela na Broadway (não vi com meus próprios olhos, até porque ainda nem estreou, mas enfim, vocês entenderam…). Keke Palmer fará o papel da gata borralheira, até então loira e de olhos azuis, e não à toa foi notícia no mundo todo na última segunda (04/08).

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Mais uma prova de que estamos evoluindo. Não acham?

E aí, qual princesa você mais gostava na sua infância??

Eu gostava muito da Ariel, talvez porque ela era a mais diferente das outras (na minha época) e eu sempre me identifiquei com essa “diferença”, mas hoje a-mo a Elsa e a Anna ~hahaha~

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