Representatividade: Menina lança projeto de livros só com protagonistas negras

Representatividade importa!

Como é ser apaixonada por leitura mas não se identificar ou se sentir representada?

Marley Dias de 11 anos se sentia decepcionada por não se “ver” nas histórias dos livros que constavam no currículo escolar, que geralmente eram protagonizadas por “garotos brancos e seus cachorros” e passou a reclamar com a mãe sobre este fato.

Janice perguntou a filha o que ela pretendia fazer para mudar e fato que vinha lhe incomodando, Marley então decidiu que  ajudaria a expandir o alcance de livros protagonizados por meninas negras.

O projeto #1000BlackGirlBooks (“mil livros com garotas negras”, em português), que busca coletar mil livros,  faz parte da iniciativa anual do acampamento para meninas negras GrassROOTS Community Foundation, na Filadélfia, para ajudar crianças que vivem na pobreza.

@scholasticinc was the best! Great discussion with the staff not to mention that it was book haven⭐️ #1000BlackGirlBooks

Uma foto publicada por Marley Dias (@iammarleydias) em

A meta já foi alcançada e hoje já ultrapassa 4 mil livros catalogados e 700 disponíveis no site do projeto.

Em entrevista à Folha de S. Paulo, Janice disse que elas continuam recebendo livros e que são doados para escolas tanto nos Estados Unidos quanto na Jamaica, lugar onde a mãe de Marley nasceu.

“Acho que nós não tínhamos noção do dilema internacional que é essa questão de falta de diversidade e a Marley teve a chance de dar voz a um desafio que muitas pessoas preferem não falar” contou ao jornal.

Off to have a great day with @elleusa and @scholasticinc for Spring Break🌴🌸 #1000BlackGirlBooks

Uma foto publicada por Marley Dias (@iammarleydias) em

Marley manda um recado sobre representatividade:

“[É algo que] Realmente importa quando você lê um livro ou aprende algo, você sempre quer algo com o qual você possa se conectar. Se você tem algo em comum com os personagens, você sempre se lembrará e aprenderá a lição do livro“.

Se você quiser ajudá-la com a campanha, saiba como no site oficial.

A falta de representatividade de nossas crianças

Falta de personagens negros nos desenhos, bonecas brancas, personagens principais nas novelas e demais referências, fazem com que as nossas crianças negras possam ter dificuldades em aceitar sua identidade. A caminhada rumo a representatividade de nossos pequenos é longa, porém se cada um de nós fizer como a pequena Marley e tomarmos atitudes positivas, nossas crianças terão em quem se espelhar!

Beijos da Preta!

 

sign-Dai

Neguinha do espanador X Queens of Africa: O brinquedo como forma de representatividade da criança negra

Na última semana mais um fato envolvendo uma denúncia de racismo tomou conta das redes sociais e mídias jornalísticas, dessa vez não foi uma agressão a algum atleta ou personalidade negra, mas sim uma boneca, batizada com o nome de “Neguinha do espanador”… Vamos ao fato…

Em uma parceria do MuBe (Museu Brasileiro de Esculturas) com a Estrela (empresa de  brinquedos) foram enviadas quinhentas bonecas “em branco” para que artistas de diversos lugares do mundo as customizassem e batizassem da forma que desejassem, para posteriormente montar uma exposição que percorrerá alguns lugares do país.

A polêmica está na representação de uma das bonecas feita pela artista plástica Rita Caruso, a boneca, negra, está vestida com plumas e segurando na mão um espanador. Assim que a exposição foi aberta em um shopping center de São Paulo, alguns dos expectadores passaram a publicar mensagens de repúdio não só à boneca, mas também a todo o estigma por trás dessa representação ainda recorrente da mulher negra.

neguinha_do_espanador_vou_de_preta

Confesso que tal representação também me incomodou, não só pelo racismo velado e disfarçado de boas intenções, muito praticado em nosso país, mas muito mais pelo reflexo disso nas crianças negras, que não se vêem representadas nas propagandas, nas novelas e nos brinquedos que consomem e como  mãe de duas meninas pequenas posso certificar que a essa falta de representação, afeta a autoestima de nossas crianças, fazendo muitas vezes com que elas não se aceitem da forma como são, já que tudo ao se redor as fazem crer que a representação do belo, está ligada ao cabelo loiro e olhos claros, e sinceramente criar uma boneca com um nome, ao meu ver pejorativo, além de reafirmar um estigma de que as mulheres negras só atuam em serviços subalternos, não fortalece em nada para a construção de uma representatividade positiva.

É visto a olhos nus a ascensão da mulher negra na sociedade, atualmente somos professoras, médicas, advogadas, etc, mas por que insistem em nos representar apenas como empregadas domésticas? Não é demérito algum ser empregada doméstica, como já disse aqui anteriormente, sou filha de uma empregada doméstica e tenho muito orgulho de minha mãe, mas consigo mensurar as mudanças existentes em nossa sociedade ao decorrer dos anos, fazendo com que muitas de nós pudéssemos galgar oportunidades melhores e é essa representação da realidade atual que desejamos.

Na contramão do que estamos presenciando em nosso país, na Nigéria o empresário Taofick Okoya , resolveu criar uma boneca que representasse sua sobrinha, a quem queria presentear, segundo Taofick, mesmo no país com a maior população negra do mundo, era difícil encontrar bonecas que se parecessem com as crianças nigerianas, por conta disso, criou bonecas com a cor e trajes típicos africanos, para que as crianças de seu país aprendessem a se aceitar e valorizar seus traços e costumes. Apesar da resistência inicial, atualmente a coleção de bonecas denominadas de Queens of Africa (Rainhas da África) ultrapassou a Boneca Barbie em vendas na Nigéria.

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Atitudes como a do empresário nigeriano, são necessárias nos quatro cantos do planeta e aqui em nosso país não é diferente, é preciso mostrar para nossas crianças o quão belas elas são e de como a nossa cor, os nossos traços marcantes e a nossa cultura são relevantes dentro dessa sociedade que muitas vezes tenta nos negar a ascensão e diminuir o orgulho que temos de ser assim, negros, belos e fortes. Quero que as minhas filhas se vejam nas propagandas infantis, que possam encontrar com mais facilidade bonecas negras, sem estereótipos, para que elas possam entender o quanto somos lindas, inteligentes e capazes e que mesmo com todo o racismo e machismo que ainda nos oprime, elas poderão ser o que quiserem na vida e não apenas a neguinha do espanador.

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