Meu cabelo: uma questão de aceitação e identidade

Oii pretas, estou de volta para contar para vocês o quanto a experiência de assumir meu cabelo natural tem feito de mim uma mulher mais feliz e mais consciente do meu papel de multiplicadora em relação à autoestima da mulher negra.

Depois de muitos anos às voltas com alisamentos, escovas e afins,  decidi que aceitaria e usaria os meus cabelos da forma como eles eram, crespos e cheios de volume e essa decisão têm me transformado, cada vez mais, em uma mulher mais confiante e cada vez mais orgulhosa da minha identidade racial. Percebi que me libertar dos padrões estabelecidos por essa sociedade muitas vezes racista e hipócrita, tem me feito uma mulher mais consciente enquanto a minha beleza negra e sinto que minha aceitação faz com que as pessoas me aceitem e me admirem exatamente assim como sou.

Dani_Vou_de_Preta

Sou professora do ensino médio e fundamental, e é nas minhas alunas, principalmente as negras, que percebo o quanto o exemplo pode ser mais eficaz do que palavras, ao tocar meus cabelos e dizer o quanto gostam do meu visual, percebo nelas a vontade da mudança, a vontade de serem vistas e respeitadas como elas realmente são, isso me alegra e me incentiva, pois acredito que a representatividade é o ponto de partida para que nós mulheres negras possamos nos tornar conscientes da beleza que possuímos. E mesmo que de uma forma modesta se eu puder representar meninas que como eu se escondiam por baixo de um coque, ou passavam horas tentando transformar seus cabelos no mais “branco” possível, me sentirei extremamente feliz.

Além de professora, também sou mãe e a transformação que  mais aprecio está dentro da minha casa:  minha filha Maria Júlia.  Maria tem apenas 8 anos, mas carrega consigo uma autoestima de dar inveja em muitas adultas por aí. Ela costuma agir sem ligar para o julgamento das outras pessoas, o que confesso algumas vezes me preocupa.Desde que mudei o visual ela insistia para que eu a deixasse usar os cabelos ao vento, com dizem ela e a irmã mais nova. Eu sempre arrumava uma desculpa, primeiro por que sou perfeccionista e se o penteado não ficasse do meu gosto eu logo amarrava, por outro lado, sei  o quanto as crianças podem ser cruéis nos seus julgamentos e magoarem minha filha, mesmo que sem querer.

Maria_Julia_Vou_de_Preta

Mas assim  como eu, minha pequena é persistente e me convenceu a deixá-la ostentar seu “black” por aí, ao vê-la toda faceira com seu novo visual me senti orgulhosa por dois motivos: o primeiro foi de ser um exemplo positivo para minha filha e o segundo foi perceber que todos os ensinamentos em relação ao orgulho que devemos ter da nossa cultura e dos nossos traços encontraram um solo fértil e desabrocham vigorosamente. Mais orgulhosa fiquei ao saber da atitude da Maria em relação à uma colega que a olhava desaprovando seu visual, com seu jeito peculiar de ser, minha Maria olhou para a menina e perguntou: Tá me olhando por quê? Eu sei que sou linda!

Realmente Maria, você é linda, seu cabelo é lindo e sua autoestima mais linda ainda!

sign-Dani

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