Shonda Rhimes e as mulheres negras que queremos ver

Um assunto muito comentado pela comunidade negra em todo mundo, foi o discurso da atriz americana Viola Davis na conquista do Emmy de melhor atriz dramática, pela série How to Get Away with Murder, em meio a emoção do momento, mas ainda sim, muito certa e  consciente de suas palavras, Viola proferiu uma frase que me fez refletir mais uma vez, como nós mulheres negras somos representadas: “A única coisa que separa as mulheres negras de qualquer outra pessoa é oportunidade. Você não pode ganhar um Emmy por papéis que simplesmente não existem.”    A fala da atriz me remeteu a nossa realidade não só no campo televisivo e cinematográfico, mas também na forma como a sociedade nos representa e tenta nos encaixar em determinados padrões, sociais, estéticos e até mesmo afetivos e o quanto tem sido difícil quebrar esses paradigmas que tentam nos manter inertes na nossa caminhada para uma vida mais digna.

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  Uma das responsáveis por esse fato histórico, já que Viola foi a primeira atriz negra a receber o prêmio Emmy,  é a roteirista Shonda Rhimes, que é considerada uma das maiores roteiristas americanas da atualidade, sendo a criadora de grandes séries como Grey’s Anatomy e Private Pratice, as quais eu conheço um pouco mais, diferentemente das séries que tem atrizes negras como protagonistas (prometo que tentarei desacelerar o ritmo e parar em frente ao computador para assistir as temporadas anteriores) e é sobre essas séries e suas protagonistas que quero falar.

 

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Scandal e How to Get Away with Murder trazem mulheres negras como protagonistas (assim como a roteirista) que se destacam dentro das suas áreas profissionais. Olivia Pope, interpretada pela lindíssima atriz  Kerry Washington, apresenta uma advogada, ex consultora da Casa Branca, que trabalha para proteger os segredos da nação, evitando que grandes escândalos aconteçam, já Viola dá vida à Annalise Keating, uma professora de Direito Penal que  seleciona um grupo dos seus melhores alunos em sua turma da universidade para trabalhar em seu escritório. Ambas as personagens atuam e ambientes de grande prestígio social exercendo cargos importantes sendo reconhecidas por seus sucessos e suas competências profissionais. Do pouco que acompanhei das séries, me chama a atenção a forma como estas personagens estão inseridas em ambientes de poder e mesmo que não haja um recorte específico para as tensões raciais, que têm se aflorado nos Estados Unidos, o poder e o respeito que as advogadas detém, nos fazem sentir muito representadas.

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É impossível não fazer uma comparação com a teledramaturgia e cinema brasileiro e perceber o quanto as mulheres negras ainda são representadas com estereótipos, na maioria das vezes negativos, dificilmente se vê  uma atriz negra representando papéis de grandes profissionais, sem nenhuma conotação sensual ou perjorativa. Me incomoda perceber que ainda somos retratadas na grande maioria das vezes como mulheres com pouco estudo corpos sarados, rebolativas, dispostas a encantar e seduzir os homens. É preciso associar a imagem de mulheres negras não só apenas às empregadas domésticas, dançarinas de funk, ou passistas, pois não somos apenas isso, cresce cada vez mais o número de mulheres negras com ensino superior, mestrado, doutorado… E mesmo com todas as barreiras invisíveis impostas à nós, estamos alcançando papéis de destaque nos setores públicos e privados, então por que não sermos retratadas também como consultoras, advogadas e médicas de sucesso, assim como Shonda tem feito em todas as suas séries? São ações como essa que passam a mudar, mesmo que lentamente, a imagem que a sociedade em geral tem de nós mulheres negras e o mais importante, fortalece em nós a autoestima , para que nos sintamos capazes de ser o que quisermos, afinal, representatividade importa!

Beijos da Preta!

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