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A educação trabalhando a favor da preservação e valorização da cultura negra.

por quinta-feira,21 dezembro, 2017 0 No tags 0

Olá minhas pretinhosidades, depois de um longo sumiço, estou voltando a ativa, dessa vez para registrar um evento ao qual fomos convidadas a participar e que  além da relevância por conta da temática: Cultura e história afro-brasileiras, me encheu os olhos por conta da organização e empenho por parte de todos os envolvidos.

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No dia 24 de novembro, a E.M.E.I.F. Eliza Sampaio Rovaris, situada no bairro Tereza Cristina, em Criciúma, realizou a  XII Mostra Afro Sonete Terezinha do Canto Antônio, organizada pela direção e funcionários da instituição. Com a presença dos pais e da comunidade, os alunos brindaram a todos com apresentações e trabalhos que valorizavam a história e cultura afro, transitando entre danças, jogos, músicas, literatura e história de personalidades negras. As apresentações culturais encantaram a todos por conta não só da graciosidade das crianças mas também pela primorosa caracterização dos alunos para o evento, vestidos de capoeiristas, e até mesmo de girafas do conto infantil Rei Leão, os estudantes trouxeram ao público o resultado de trabalhos realizados durante todo o ano letivo, assim como determina a lei 10.639, mas que infelizmente ainda enfrenta resistência de alguns educadores e gestores em outras instituições de ensino. 

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As imagens falam por si só, mas gostaria de salientar a importância de trabalhos como esse, não só dentro da educação infantil ou anos iniciais, mas em todo o ciclo escolar,  se houvessem mais profissionais preocupados em propagar a história e a cultura negra dentro das escolas talvez o respeito com a  nossa cultura e nossa história seria mais comum, como educadora que já trabalhou o tema em escolas diferentes, fica o meu questionamento, por que as escolas que não são geridas por diretores negros, não se envolvem tanto nas questões afro? Por que somente nós os educadores e gestores negros nos empenhamos por algo que deveria ser realizado durante todo o ano letivo e por todas as instituições de ensino? O conhecimento histórico e cultural transmitido na escola podem a longo prazo diminuir dados tão alarmantes relacionados ao racismo, transformando nossa sociedade em um ambiente onde prevaleça a igualdade e a equidade.

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       Deixo aqui meus parabéns à toda equipe da E.M.E.I.F. Eliza Sampaio Rovaris pela realização desse trabalho e por proporcionar à essas crianças uma educação que valoriza e respeita a cultura negra, trabalhando assim na luta contra o racismo e em prol de uma sociedade mais respeitosa e igualitária. Continuemos na luta!

 

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Baú de Memórias: Sociedade Recreativa União Operária, os 80 anos começam agora

Já falamos aqui do resgaste histórico que vem sendo organizado na cidade de Criciúma (SC) a fim de restaurar e reabrir um dos clubes negros do estado, a Sociedade Recreativa União Operária. Como forma de iniciar a comemoração dos 80 anos da sociedade que se realizarão no ano de 2017, foi montada uma organização, na qual o  nosso blog está incluso, a Organização Asante Baobá, formada pelos grupos Coletivo Chega de Racismo, Blog Vou de Preta,  Neab da UNESC (Universidade do Extremo Sul Catarinense) e a professora Karlis Fernandes, organizaram uma noite repleta de boas memórias e emoções.

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A fim de homenagear os ex-presidentes e reunir todas as pessoas saudosas de um ambiente tão familiar às famílias negras da cidade, um jantar comemorativo foi idealizado, e o resultado dessa noite é algo que todos os presentes guardarão na memória por muito tempo.

Embalados pelo griô criado pela professora Karlis Feranandes, os ex-presidentes ainda vivos, foram recebendo uma bela homenagem, uma representação em tela de um baobá, uma árvore tradicional africana, que simboliza a força e a sabedoria, a União Operária cresceu forte como um baobá, em seu tronco forte e viçoso muitas relações de amor e amizade surgiram, a sombra do baobá União Operária , os negros de Criciúma se ergueram perante o racismo, construindo para a comunidade negra um lugar de lazer, já que não era permitido que entrassem em outros clubes.

fotorcreatedA melhor impressão que se pode ter dessa noite foi o anseio das famílias em ver nosso clube ativo novamente, de poder contar com com lugar para reunir seus entes queridos em torno de uma boa conversa, de poder mostrar para as novas gerações que nós temos o nosso lugar, lugar esse que foi construído e mantido por homens de fibra e determinação, por sonhadores que não se curvaram perante o racismo pungente de uma sociedade que muitas vezes nega a presença e contribuição dos negros.  Que esse seja  o pontapé inicial para o renascimento dessa entidade que é de grande importância não só cultural mas também afetiva para todos nós.

 

Asante Sociedade Recreativa União Operária.

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Shonda Rhimes e as mulheres negras que queremos ver

Um assunto muito comentado pela comunidade negra em todo mundo, foi o discurso da atriz americana Viola Davis na conquista do Emmy de melhor atriz dramática, pela série How to Get Away with Murder, em meio a emoção do momento, mas ainda sim, muito certa e  consciente de suas palavras, Viola proferiu uma frase que me fez refletir mais uma vez, como nós mulheres negras somos representadas: “A única coisa que separa as mulheres negras de qualquer outra pessoa é oportunidade. Você não pode ganhar um Emmy por papéis que simplesmente não existem.”    A fala da atriz me remeteu a nossa realidade não só no campo televisivo e cinematográfico, mas também na forma como a sociedade nos representa e tenta nos encaixar em determinados padrões, sociais, estéticos e até mesmo afetivos e o quanto tem sido difícil quebrar esses paradigmas que tentam nos manter inertes na nossa caminhada para uma vida mais digna.

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  Uma das responsáveis por esse fato histórico, já que Viola foi a primeira atriz negra a receber o prêmio Emmy,  é a roteirista Shonda Rhimes, que é considerada uma das maiores roteiristas americanas da atualidade, sendo a criadora de grandes séries como Grey’s Anatomy e Private Pratice, as quais eu conheço um pouco mais, diferentemente das séries que tem atrizes negras como protagonistas (prometo que tentarei desacelerar o ritmo e parar em frente ao computador para assistir as temporadas anteriores) e é sobre essas séries e suas protagonistas que quero falar.

 

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Scandal e How to Get Away with Murder trazem mulheres negras como protagonistas (assim como a roteirista) que se destacam dentro das suas áreas profissionais. Olivia Pope, interpretada pela lindíssima atriz  Kerry Washington, apresenta uma advogada, ex consultora da Casa Branca, que trabalha para proteger os segredos da nação, evitando que grandes escândalos aconteçam, já Viola dá vida à Annalise Keating, uma professora de Direito Penal que  seleciona um grupo dos seus melhores alunos em sua turma da universidade para trabalhar em seu escritório. Ambas as personagens atuam e ambientes de grande prestígio social exercendo cargos importantes sendo reconhecidas por seus sucessos e suas competências profissionais. Do pouco que acompanhei das séries, me chama a atenção a forma como estas personagens estão inseridas em ambientes de poder e mesmo que não haja um recorte específico para as tensões raciais, que têm se aflorado nos Estados Unidos, o poder e o respeito que as advogadas detém, nos fazem sentir muito representadas.

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É impossível não fazer uma comparação com a teledramaturgia e cinema brasileiro e perceber o quanto as mulheres negras ainda são representadas com estereótipos, na maioria das vezes negativos, dificilmente se vê  uma atriz negra representando papéis de grandes profissionais, sem nenhuma conotação sensual ou perjorativa. Me incomoda perceber que ainda somos retratadas na grande maioria das vezes como mulheres com pouco estudo corpos sarados, rebolativas, dispostas a encantar e seduzir os homens. É preciso associar a imagem de mulheres negras não só apenas às empregadas domésticas, dançarinas de funk, ou passistas, pois não somos apenas isso, cresce cada vez mais o número de mulheres negras com ensino superior, mestrado, doutorado… E mesmo com todas as barreiras invisíveis impostas à nós, estamos alcançando papéis de destaque nos setores públicos e privados, então por que não sermos retratadas também como consultoras, advogadas e médicas de sucesso, assim como Shonda tem feito em todas as suas séries? São ações como essa que passam a mudar, mesmo que lentamente, a imagem que a sociedade em geral tem de nós mulheres negras e o mais importante, fortalece em nós a autoestima , para que nos sintamos capazes de ser o que quisermos, afinal, representatividade importa!

Beijos da Preta!

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Já não marcho mais sozinha!

A mais ou menos uns dois meses atrás, nós do Vou de Preta, fomos convidadas a participar uma reunião em nossa cidade (Criciúma, SC), a princípio não sabíamos por certo qual seria o assunto principal da reunião, mas de imediato nos prontificamos a comparecer. No decorrer da reunião ficamos a par da movimentação em relação à Marcha das Mulheres Negras, que acontecerá no dia 18 de Novembro em Brasília.

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Confesso que esse encontro foi para mim uma injeção de ânimo, ao me deparar com tantas mulheres negras, conscientes da sua força e do seu poder nos lugares em que vivem, se renovaram as forças para continuar nessa luta diária que é ser uma mulher negra numa sociedade na qual somos preteridas em todos os aspectos.

Os encontros estão estão se tornando cada vez mais produtivos, cada novo projeto para fortalecer aquilo que acreditamos faz com que cada uma de nós perceba o quanto ainda precisamos lutar para mudar a realidade em que vivemos, mas cada vez mais conscientes de que nossas forças provém de nossa união e conscientização. A cada mulher negra que se empodera, teremos outras tantas influenciadas pelo exemplo, quando vejo minhas pares, prosperando na profissão e nos estudos, me faço mais forte para seguir seus passos, quando vejo minhas filhas e meus alunos me tomando como exemplo, me faço ainda mais forte para honrar esse papel, e assim prosperamos nesse ciclo vitorioso que é a elevação da nossa autoestima.

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Nossa resistência em manter esse espaço é por nossas ancestrais, por nossas irmãs, sanguíneas ou não, e é também por nossas filhas, já nascidas ou ainda não. Quando mostramos o quanto nosso cabelo é lindo, e deve ser bem cuidado não é apenas vaidade, é a busca pela aceitação e valorização do que somos, quando estampamos as páginas do blog com nossas fotos, não é apenas para inflarmos nossos egos, é também para mostrar a quem quer que seja, que somos lindas e podemos estar onde quisermos e nos vestirmos da forma que bem entendermos. Quando debatemos aqui os casos de racismo que chegam ao grande público, não é só mais uma mídia sensacionalista, é a nossa reflexão a respeito de casos pelos quais já passamos e pelos quais muitos negros anônimos passam, sem receber apoio, hashtags e manifestações (ao meu ver, algumas muito hipócritas e oportunistas).

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As reuniões de mobilização à marcha estão em pleno vapor, o legado que será deixado por esse evento é imensurável, creio que todas nós seremos, cada vez mais, multiplicadoras de conhecimento, de união e de força. Cada vivência compartilhada com minhas companheiras, faz com que eu me sinta mais forte e perceba que esse talvez seja o principal objetivo da Marcha, mobilizar as mulheres negras, mostrando que juntas somos mais forte na luta do racismo, do machismo e de tantas outras barreiras, psicológicas e sociais, que precisamos enfrentar no nosso dia a dia. Beijos da Preta.

 

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Meu cabelo: uma questão de aceitação e identidade

Oii pretas, estou de volta para contar para vocês o quanto a experiência de assumir meu cabelo natural tem feito de mim uma mulher mais feliz e mais consciente do meu papel de multiplicadora em relação à autoestima da mulher negra.

Depois de muitos anos às voltas com alisamentos, escovas e afins,  decidi que aceitaria e usaria os meus cabelos da forma como eles eram, crespos e cheios de volume e essa decisão têm me transformado, cada vez mais, em uma mulher mais confiante e cada vez mais orgulhosa da minha identidade racial. Percebi que me libertar dos padrões estabelecidos por essa sociedade muitas vezes racista e hipócrita, tem me feito uma mulher mais consciente enquanto a minha beleza negra e sinto que minha aceitação faz com que as pessoas me aceitem e me admirem exatamente assim como sou.

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Sou professora do ensino médio e fundamental, e é nas minhas alunas, principalmente as negras, que percebo o quanto o exemplo pode ser mais eficaz do que palavras, ao tocar meus cabelos e dizer o quanto gostam do meu visual, percebo nelas a vontade da mudança, a vontade de serem vistas e respeitadas como elas realmente são, isso me alegra e me incentiva, pois acredito que a representatividade é o ponto de partida para que nós mulheres negras possamos nos tornar conscientes da beleza que possuímos. E mesmo que de uma forma modesta se eu puder representar meninas que como eu se escondiam por baixo de um coque, ou passavam horas tentando transformar seus cabelos no mais “branco” possível, me sentirei extremamente feliz.

Além de professora, também sou mãe e a transformação que  mais aprecio está dentro da minha casa:  minha filha Maria Júlia.  Maria tem apenas 8 anos, mas carrega consigo uma autoestima de dar inveja em muitas adultas por aí. Ela costuma agir sem ligar para o julgamento das outras pessoas, o que confesso algumas vezes me preocupa.Desde que mudei o visual ela insistia para que eu a deixasse usar os cabelos ao vento, com dizem ela e a irmã mais nova. Eu sempre arrumava uma desculpa, primeiro por que sou perfeccionista e se o penteado não ficasse do meu gosto eu logo amarrava, por outro lado, sei  o quanto as crianças podem ser cruéis nos seus julgamentos e magoarem minha filha, mesmo que sem querer.

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Mas assim  como eu, minha pequena é persistente e me convenceu a deixá-la ostentar seu “black” por aí, ao vê-la toda faceira com seu novo visual me senti orgulhosa por dois motivos: o primeiro foi de ser um exemplo positivo para minha filha e o segundo foi perceber que todos os ensinamentos em relação ao orgulho que devemos ter da nossa cultura e dos nossos traços encontraram um solo fértil e desabrocham vigorosamente. Mais orgulhosa fiquei ao saber da atitude da Maria em relação à uma colega que a olhava desaprovando seu visual, com seu jeito peculiar de ser, minha Maria olhou para a menina e perguntou: Tá me olhando por quê? Eu sei que sou linda!

Realmente Maria, você é linda, seu cabelo é lindo e sua autoestima mais linda ainda!

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