A ausência da mulher negra nas mídias e o reflexo na sua autoestima

Volta e meia me pego em frente à TV, analisando algumas produções televisivas ou publicitárias e me pergunto se eu e até mesmo as minhas filhas estamos representadas em tais mídias. Com o passar do tempo tenho me tornado mais crítica em relação à isso, e a pergunta que não cala nesse meu intelecto, tão revolto e povoado é: Se eu consumo tal produto, seja ele cosmético ou de moda, ou se assisto tal programa de televisão, por que não percebo, ou percebo muito pouco, mulheres que representem o meu padrão racial?

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Pesquisas mostram que a mulher negra é preterida no mercado cinematográfico, sendo que no período de 2002 à 2012  as mulheres negras representaram apenas 4% dos papéis com destaque nas produções brasileiras, na TV  a realidade não é diferente, as atrizes negras, em sua grande maioria, representam papéis secundários, ligados sempre à periferia ou ao papel de serviçais dos núcleos, não vejo problema associar à imagem da mulher negra a mulheres pobres ou empregadas domésticas, já que muitas pertencem à essas classes, eu inclusive sou filha de uma empregada doméstica e me orgulho muito disso, pois minha mãe exerce sua profissão com muita dignidade e é responsável por grande parte daquilo que sou hoje. O que para mim caracteriza um problema é destinar para as atrizes negras apenas tais papeis. Felizmente não estamos mais confinadas nos guetos e cozinhas, hoje em dia podemos ser e somos aquilo o que quisermos, eu exerço a profissão de professora, com muito orgulho, tenho uma irmã administradora, prima psicóloga e por aí vai. Por que então não somos retratadas de forma mais compatível com a nossa realidade atual?

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Quando o assunto é campanha publicitária a falta de representação da mulher negra segue pelo mesmo caminho, quantas modelos negras podemos encontrar nas campanhas publicitárias em veiculação atualmente? Grande parte das marcas destinadas às mulheres ainda insistem em retratar suas consumidoras apenas como mulheres esguias, de pele e cabelos claros, e mais uma vez me vem a pergunta: E nós mulheres negras onde estamos? Se eu pago por tal produto e se o meu dinheiro é valido para a empresa que o produz, por que a minha imagem, não lhe serve? Se eu utilizo tal maquiagem, isso quando encontro a tonalidade certa para minha pele (falaremos sobre este assunto em outro momento),  por que não me sinto representada nas campanhas publicadas na televisão e na mídia impressa? Será que não somos suficientemente bonitas para representarmos a beleza feminina na TV e nas revistas? Muitas meninas negras, principalmente na infância e no começo da adolescência,  sofrem de baixa autoestima, não sou psicóloga, socióloga ou alguma profissional que possa detectar de forma mais científica a relação dessa baixa autoestima com a falta de representatividade das mulheres negras nos meios midiáticos, mas se tudo que remete ao belo, ao fashion é representado apenas por mulheres de pele clara, presume-se que a mulher negra não se encaixa nos padrões de beleza. Mas minhas lindas, não acreditem nisso, nós somos belas sim, com traços marcantes, sorrisos estonteantes e poderosas, perfeitas para estarmos em qualquer lugar.

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Precisamos mostrar que estamos atentas a tudo isso e as empresas, sejam elas de entretenimento ou de produtos, precisam levar em conta que somos mulheres atuantes e com poder de compra e persuasão. Se a nossa imagem não lhes serve, que o nosso dinheiro não os sirva também. Somos belas, somos fortes, merecemos ser respeitadas e representadas. Esse é o papo. Beijos da preta aqui.

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