Sobre o novo álbum de Emicida

por sexta-feira,25 setembro, 2015 0 No tags 0

Já faz algum tempo que queria compartilhar com vocês a alegria que senti ao ouvir o novo álbum do Emicida, intitulado Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa.

Enquanto continuamos o papo, aperte o play e deixe-se envolver com Passarinhos

Na minha adolescência ouvia muito rap e hip-hop e realmente adorava, mas com o tempo fui deixando pra trás, até porque os grupos e rappers que eu mais gostava foram parando com os seus trabalhos. Ainda acompanho alguns mas não com o mesmo “fervor” da adolescência.

Emicida é um rapper bem mais conhecido do que os da minha época jamais foram – com exceção de Racionais MC’s, é claro – mas nunca parei pra ouvir suas músicas, além das que me chegavam fácil através da TV e rádios. A primeira música que eu ouvi deste novo álbum foi Boa Esperança e só consegui exprimir meus sentimentos com um palavrão… Daí comecei a acompanhar melhor o trabalho dele, e fui cada vez mais me surpreendendo e descobri que ele é um dos poucos negros de visibilidade no Brasil que tem coragem de abordar assuntos como racismo, preconceito e toda a injustiça de séculos que os negros carregam nas costas. Mesmo os que levantam a bandeira a favor da negritude, dificilmente abordam assuntos como estes, considerados mais “delicados”.

Emicida Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa.

O álbum tem uma pegada muito forte de cultura e história, de um encontro do negro que foi arrancado da África com o negro que foi jogado nas favelas, além de experiências do próprio Emicida reatratadas em suas letras, e eu vi tudo isso como um grito de liberdade: alguém teve coragem de jogar tudo isso na cara da sociedade. A primeira música já diz que ele não veio a passeio, Mãe, com participação de Dona Jacira (mãe dele), conta a trajetória da mulher que lutou para criar os filhos, e que muito se assemelha com a vida das nossas mães – é emocionante!  Outras músicas como Boa Esperança, 8 e Trabalhadores do Brasil acentuam ainda mais a indignação do rapper com a situação atual dos negros. Mas se você está achando que só tem rap “pesado” no álbum, Passarinhos (que eu coloquei aqui em cima) com Vanessa da Mata, Mufete cheio de ginga africana e Baiana, com Caetano Veloso, provam que é possível fazer rap com ritmos variados.

O que fica claro pra mim é que Emicida realmente está entregue a esta nossa luta contra o racismo, mas acima de tudo vem mostrar que tudo isto não é vitimização a toa. Estamos vivendo um período em que tudo é considerado “mimimi” e pouca importância se dá ao que ocorre, principalmente na internet, mas toda a bagagem que o Emicida trás em suas letras nos mostra que temos que falar, falar cada vez mais alto pra quem sabe assim sermos ouvidos…

O rapper tem repercutido bastante nas mídias em virtude do novo álbum, e além de ser capa da edição de setembro da Rolling Stone Brasil, Emicida também está concorrendo ao prêmio de Melhor Artista Brasileiro pela MTV – votem aqui! No último sábado Emicida também participou do Altas Horas e falou sobre a “diversidade” no Brasil, e quem quiser ver sua participação no programa, clica neste link.

E pra quem quiser acompanhar o trabalho do rapper, cofira o Facebook e o canal no Youtube.

Espero que vocês ouçam muuuuito ;)

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Projeto Onnim recebe visita de pesquisador da Universidade Federal de São Carlos (SP)

por quarta-feira,23 setembro, 2015 0 No tags 0

O pesquisador da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), Deivison Faustino, está visitando a cidade de Criciúma para avaliar o Projeto Onnim, que está sendo desenvolvido pela ONG Anarquistas Contra o Racismo (ACR) junto a Escola Estadual Arruda Ramos. A Universidade é apoiadora por meio de assessoria e monitoramento do projeto do Núcleo de Estudo Afro-brasileiros da Universidade Federal de São Carlos (NEAB-UFSCAR) com apoio do Fundo Baobá para Equidade Racial e do Instituto Unibanco. Segundo Deivison a visita é uma forma de avaliar os impactos da região onde ele está sendo aplicado. “Estou vindo para conversar com as pessoas para conhecer a realidade local. Ver o que deu e o que não deu certo no projeto e os seus impactos”, explica o pesquisador.

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Nesta terça pela manhã (22/09) ele conversou com gestores, professores e alunos do colégio Arruda Ramos. Deivison afirma que a auto-estima dos alunos, está diretamente ligada ao seu rendimento. “Esse fato é reconhecido pelo MEC”, diz. Segundo uma das professoras do colégio, Criciúma é uma cidade que se orgulha da sua origem italiana, mas nega sua origem africana. “Criciúma é uma cidade que se nega”, afirma.

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Na noite de segunda-feira, o pesquisador a convite do ACR esteve reunido na UNESC com Núcleo de Estudo Afro-brasileiros (NEAB-UNESC). Participaram também da reunião membros da Coordenadoria de promoção da igualdade racial de Criciúma a (COPIRC), do Conselho municipal de promoção da igualdade racial de Criciúma (COMPIRC) e da representante do PRONATEC de Criciúma, Normélia Lalau de Farias. Depois de uma análise coletiva do contexto regional das relações étnicos raciais, foi analisado as possibilidades de parcerias dos NEABs da UNESC com a Universidade de São Carlos. O mais próximo seria a participação do Maio Negro de 2016.

Conforme o coordenador do projeto Onnim, Ivan de Souza Ribeiro, os encontros casam com os objetivos do projeto. “Temos um desafio de discutir gestão para equidade e as relações étnicos raciais, e precisamos refletir sobre tema tanto em sala de aula, quanto nas relações extra-classe. Esses encontros e trocas de experiências nos possibilitam intercâmbios e troca de experiência”, analisa.

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No colégio Arruda Ramos um espaço permanente está sendo montado para exposição bibliográfica e fotográfica, onde são expostos estudos sobre a população negra antiga no século XX em Criciúma. Materiais sobre história da áfrica, cultura negra, educação afro nas escolas e diversidade, também estão a disposição dos alunos e professores do colégio.

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O projeto

O projeto Onnim, gestão para equidade racial, atua na Escola Estadual Arruda Ramos desde janeiro. Onde busca envolver e estimular a reflexão em relação à lei de educação afro e suas implicações no cotidiano escolar. Foram realizadas ações (oficinas, saídas de campo e atividades diversas) focadas na gestão escolar, na didática dos educadores, nas relações étnicas raciais estabelecidas na escola e na comunidade. O projeto discute negritude, história da áfrica, cidadania, ética, democracia, direitos humanos, diversidade e participação política.

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Por Ivan de Souza Ribeiro

Mr. Brau vem aí

Acho que todo mundo já deve ter visto as chamadas na nova série de humor da Rede Globo Mr. Brau” que vai ser estrelada pelo casal afrocentrado mais lindo desse Brasil; Taís Araujo e Lázaro Ramos.

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Na trama, Brau vai ter um faturamento R$14 milhões por mês  – preciso saber qual a fórmula do sucesso do Brau, cá entre nós, estou precisando – e vai morar num luxoso condomínio na Barra da Tijuca com a esposa e também sua dançarina Michele – não precisa nem comentar que vai dar o que falar.

Olha o que Brau diz sobre suas músicas “ Minha música é muito simples: é um mix de James Brown, Cartola, Fela Kuti, Caju, Castanha, baunilha e chocolate”  e também explica a origem no nome artístico: “Meu nome é Brau, marrom em inglês. Eu ‘abrasileirei’, para ficar diferente do James e do Carlinhos. E marrom em português é a Alcione”.

Já Michele – divaaaaaa!! – será uma esposa dedicada que cuida das roupas, alimentação, conta bancaria e até mesmo das pessoas que falam com Brau, mas a paixão pela moda não passará despercebida: “Se eu gosto da moda? A moda é que gosta de mim” diz Michele.

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Lázaro fala  da dobradinha com a mulher, Taís Araújo, sobre as cenas mais quentes o ator diz: “É técnico. Beijo de língua não fica tão bonito. Fica meio ensebado… A pessoa que assiste acha esquisito. Então tem algo de técnico nos beijos. Nossos beijos são muito melhores”é muito amor para um casal só ♥.

Já Taís compara Brau e Michele a um dos casais mais rentáveis e pop do mundo da música: Beyoncé e Jay Z. “Claro que quando a gente vê um casal desse, na hora, lembra dos dois. Eu fico até me achando. Mas tem muita coisa brasileira”, diz.

Além do casal principal, estão também na série nomes como Luis Miranda e  Fernanda de Freitas.

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Eu não sei se o programa surgiu pra “limpar a barra” da Rede Globo após a polêmica de Sexo e As Negasmas a primeira impressão que tenho é que Mr Brau veio para colocar o negro em um papel de destaque – ainda que seja num programa de humor –  é claro que seria maravilhoso ter nossos atores negros em outros papeis de evidência na programação já que isso é tão raro, entretanto todo pequeno espaço de destaque que é conquistado na TV deve ser valorizado e festejado.

Já sei que Michele e Brau vão lançar moda, agora é aguardar  o que vem por aí!

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Nossa primeira marcha

7 de Setembro não foi só de descanso para as mulheres negras de Criciúma e região, foi dia de por a cara no sol – literalmente –  e mostrar que a nossa beleza não tem esteriótipos. A marcha contra o racismo, a violência e pelo bem-viver já começou!

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Levantamos cedo, conferimos se não estava chovendo, colocamos nossos turbantes e nos preparamos para “cumprir o nosso dever cívico”, mas diferente dos tempos de escola, fomo de muito felizes por poder cumprir este dever.

Nossas mulheres negras desfilaram ao som de “Sorriso Negro” e foi muito legal ver muitos dos espectadores cantando junto.

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Foi muito bonito o desfile, e ver a alegria nos rosto de todas essas mulheres negras lindas que desfilaram no Parque das Nações em Criciúma.

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Que venha Brasília para podermos juntas gritar: NEGRA SOU! NEGRA SIM!

 

 

Pretas em Prosa

Hoje viemos aqui te fazer um convite muito especial, para um evento que foi organizado por mulheres igualmente especiais: O Pretas em Prosa será um evento de lançamento da Marcha das Mulheres Negras para Criciúma e região.

Pretas em Prosa Blog

A Marcha das Mulheres Negras está se tornando mais que uma “marcha”, está mobilizando pessoas (não só mulheres e não só negras) de todo o Brasil, em busca de igualdade racial e de gênero. A marcha vai  acontecer em Brasília, dia 18 de novembro deste ano e durante os próximos meses o Comitê Impulsor de Criciúma e Região irá promover alguns eventos para divulgar e promover a marcha por aqui.

Claro que o Vou de Preta está apoiando o evento, e inclusive fazemos parte do comitê (te mete com as negras!), por isso que todas as nossas leitoras estão convidadas a participar.

O evento será no dia 12 de setembro, sábado, a partir das 13:30, no Auditório Ruy Hülse, na Unesc e a entrada é gratuita. A programação está cheia de mulheres empoderadas e lindas pra falar da marcha e das mulheres negras da nossa região.

Confiram a programação de todo o evento aqui:

Abertura: 13:30

Redescobrindo Chiquinha Gonzaga
com Karlys Rejane

Debates:  14:00

Marcha das Mulheres Negras
com Jeruse Romão

As escolhedeiras de Carvão
com Kelly Cristina

Encerramento: 16:30

Apresentação Cultural

Além dos debates e das apresentações, teremos a presença de diversos movimentos negros da nossa região, para compartilhar suas lutas a favor da igualdade racial.

Junto com o convite do evento, queremos convidá-las também para participar da marcha e conhecer toda a mobilização que as mulheres negras da nossa região estão fazendo. Acompanhem a página da marcha no Facebook, e por lá também vamos mantê-las informadas de outros eventos que acontecerão, e tudo a respeito da Marcha das Mulheres Negras.

Estaremos esperando vocês dia 12!

Beijos das pretas ♥