Já não marcho mais sozinha!

A mais ou menos uns dois meses atrás, nós do Vou de Preta, fomos convidadas a participar uma reunião em nossa cidade (Criciúma, SC), a princípio não sabíamos por certo qual seria o assunto principal da reunião, mas de imediato nos prontificamos a comparecer. No decorrer da reunião ficamos a par da movimentação em relação à Marcha das Mulheres Negras, que acontecerá no dia 18 de Novembro em Brasília.

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Confesso que esse encontro foi para mim uma injeção de ânimo, ao me deparar com tantas mulheres negras, conscientes da sua força e do seu poder nos lugares em que vivem, se renovaram as forças para continuar nessa luta diária que é ser uma mulher negra numa sociedade na qual somos preteridas em todos os aspectos.

Os encontros estão estão se tornando cada vez mais produtivos, cada novo projeto para fortalecer aquilo que acreditamos faz com que cada uma de nós perceba o quanto ainda precisamos lutar para mudar a realidade em que vivemos, mas cada vez mais conscientes de que nossas forças provém de nossa união e conscientização. A cada mulher negra que se empodera, teremos outras tantas influenciadas pelo exemplo, quando vejo minhas pares, prosperando na profissão e nos estudos, me faço mais forte para seguir seus passos, quando vejo minhas filhas e meus alunos me tomando como exemplo, me faço ainda mais forte para honrar esse papel, e assim prosperamos nesse ciclo vitorioso que é a elevação da nossa autoestima.

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Nossa resistência em manter esse espaço é por nossas ancestrais, por nossas irmãs, sanguíneas ou não, e é também por nossas filhas, já nascidas ou ainda não. Quando mostramos o quanto nosso cabelo é lindo, e deve ser bem cuidado não é apenas vaidade, é a busca pela aceitação e valorização do que somos, quando estampamos as páginas do blog com nossas fotos, não é apenas para inflarmos nossos egos, é também para mostrar a quem quer que seja, que somos lindas e podemos estar onde quisermos e nos vestirmos da forma que bem entendermos. Quando debatemos aqui os casos de racismo que chegam ao grande público, não é só mais uma mídia sensacionalista, é a nossa reflexão a respeito de casos pelos quais já passamos e pelos quais muitos negros anônimos passam, sem receber apoio, hashtags e manifestações (ao meu ver, algumas muito hipócritas e oportunistas).

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As reuniões de mobilização à marcha estão em pleno vapor, o legado que será deixado por esse evento é imensurável, creio que todas nós seremos, cada vez mais, multiplicadoras de conhecimento, de união e de força. Cada vivência compartilhada com minhas companheiras, faz com que eu me sinta mais forte e perceba que esse talvez seja o principal objetivo da Marcha, mobilizar as mulheres negras, mostrando que juntas somos mais forte na luta do racismo, do machismo e de tantas outras barreiras, psicológicas e sociais, que precisamos enfrentar no nosso dia a dia. Beijos da Preta.

 

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#SomosTodosMaJu

Quando aconteceu o atentado no jornal francês Charlie Hebdo, muitos se comoveram e utilizaram a hashtag “Je suis Charlie” (Eu sou Charlie) em apoio às vitimas. Não me manifestei porque, apesar de não concordar com a violência, seja da forma que for, não concordo com nenhum tipo de artista que se esconde atrás do título de humorista pra ofender religiões, raças, credos, etc. Depois disso, muitas outras causas comoveram o público, e vira e mexe vemos pessoas “sendo” outra para apoiar algum ato que julgamos incorreto. Muita coisa eu acho desnecessária, e acabo não “apoiando”. Eu não entrei nem na onda do “Somos todos macacos”, primeiro porque se eu acho preconceituoso chamar alguém de macaco, não vou me intitular como um; segundo porque tinha muito mais marketing do que verdade naquela “campanha”.

Mas agora eu achei que realmente seria uma causa justa. Não por ser uma “funcionária” da Rede Globo. Não por ser com alguém que ganhou tanta visibilidade recentemente. Não por estar recebendo o apoio de muitos outros famosos. Mas porque onde muitos dizem que não existe racismo no Brasil, essa moça acabou, sem querer, esfregando na cara da sociedade brasileira quão racistas – e hipócritas – eles são.

 

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Negro é bom quando está quieto no seu canto, quando não incomoda, quando não reivindica os seus direitos. Calado!

Mas se vemos um negro se destacando seja em qualquer área, logo os “seres superiores” começam a se sentir incomodados. A competência incomoda, a beleza, a cultura, tudo que nos foi roubado dói na consciência e o preconceito é o escudo que eles usam pra se defender e nos atacar.

Este é só mais um episódio do racismo escancarado no Brasil. Talvez seja mais um que fique impune, talvez não. A única coisa que eu tenho certeza é que a a “pessoa” que se dá ao trabalho de ofender outra (seja por qualquer motivo) se torna tão inferior quanto ela julga a pessoa ofendida.

Fiquei feliz em ver que no mesmo post em que a Maria Julia Coutinho recebeu tantas ofensas, haviam muito mais elogios – veja aqui. Sinal de quê ainda há esperança para o Brasil, e para a internet. Logo após o ocorrido, o Willian e a Renata também se manifestaram em um vídeo.

 

 

Você não precisa ser negro pra ser contra o racismo!

E apenas pra complementar, racismo disfarçado de piada, continua sendo racismo.

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